CHUTE NO TRASEIRO!

Muitos acreditam que a pandemia da Covid-19 está provocando uma grande revolução digital. Eu não penso dessa forma. Para mim, ela está é dando um verdadeiro “chute em nosso traseiro”, daqueles que nos empurra para frente de qualquer jeito, impulsionando a mudança.

O mundo digital existe há muitos anos, mas não era muito utilizado porque grande parte dos empresários são ainda conservadores na forma de fazer negócio. Ficam em seus nichos de mercado com medo de tentar o novo. Ou porque “em time que está ganhando não se mexe” e assim continuam com as formas tradicionais de comércio ou porque “dá muito trabalho” inovar.

E aí de repente surge uma pandemia que ninguém esperava com proporções inimagináveis. E vemos muitas empresas quebrarem porque é impossível se reinventarem devido à forma que trabalhavam antes. Claro que algumas realmente não tinham muitas opções e a única saída foi fechar suas portas, mas eu acho que muitas delas, se tivessem acreditado mais no mundo digital, provavelmente não teriam que ter encerrado suas atividades por causa da pandemia.

Por isso a Covid-19 não causou uma revolução digital. O mundo digital e toda a inovação que ele trouxe, desde a época da invenção da internet, sempre esteve à nossa disposição. Mas nós insistíamos em não ver isso.  E quem viu se deu muito bem nestes últimos meses.

Veja o caso de Jeff Bezos, fundador e diretor executivo da Amazon. A Amazon foi uma das empresas que mais lucraram durante a pandemia, com um aumento expressivo no volume das compras online devido às medidas de isolamento social e de restrições de circulação em todo o mundo.

Bezos conseguiu ganhar em único dia (20 de julho de 2020) US$ 13 bilhões, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg. Só no primeiro semestre deste ano, de acordo com a Forbes, ele ganhou US$ 56,7 bilhões, ou R$ 295,86 bilhões, algo em torno de R$ 20 mil por segundo. É dinheiro demais.

E por que Bezos consegue um feito como esse? Porque ele percebeu, antes de qualquer pessoa, o poder da internet e do mundo digital.

A Amazon revolucionou o mercado de vendas online no final dos anos 1990 e se tornou uma gigante de tecnologia. Mas Bezos vai além. Ele ainda investe em foguetes espaciais através da Blue Origin, bem como na rede de supermercados Whole Foods e na Alexa, que desenvolve tecnologia de inteligência artificial. Comprou também o Washington Post, tradicional jornal norte-americano e tem ações da Uber, Airbnb, Google e Twitter. Ou seja, ele investe em nichos que estão crescendo e são promessas para um futuro bem próximo.

O caso de Jeff Bezos é interessante porque ele fundou a Amazon na década de 1990, com um modelo de negócio inovador que para muitos, na época, parecia ser loucura. Mas não era, e sua ideia de virar a “maior livraria da Terra” foi recebendo investimentos e crescendo. Tanto que 1997, três anos após o início da Amazon, já havia ganho seu primeiro milhão de dólares.  E no ano seguinte já aparecia na lista de bilionários da Forbes, possuindo R$ 1,6 bilhão.

A pandemia pegou todos de surpresa, mas a Amazon estava consolidada de uma tal forma em todo o mundo que só fez aumentar o valor de suas ações (em janeiro uma ação custava cerca de R$ 4 mil e agora já ultrapassou os R$ 8 mil reais). E pelo jeito vai continuar aumentando por muito tempo, porque até nos Correios aqui do Brasil ele já está de olho.

Claro que nós, meros mortais, dificilmente chegaremos a ter a fortuna de Bezos. Mas tenho certeza que temos capacidade e competência, assim como ele. E por isso não devemos nunca deixar de sonhar. Quem sabe aquela ideia que muitos julgam como louca, na verdade não seja a chave de mudança da sua vida?

Acredito que podemos aproveitar esse período de pandemia e buscar coisas novas, se reinventar e fazer diferente. Já que levamos forçadamente um belo de um chute no traseiro, então vamos para a frente. Vamos começar a utilizar o mundo digital a nosso favor, não importa qual seja o nosso negócio.  E se você já usa a internet em sua atividade, intensifique ainda mais.

E lembre-se: não é o mundo digital que sofre uma revolução com a pandemia. É você. Até porque independente do que você faça, a internet a partir de agora será sempre a sua melhor vitrine.

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