A PANDEMIA DA DESINFORMAÇÃO

Informação

Fake News e Coronavírus: ainda precisamos falar sobre o óbvio

Ivermictina para prevenção ao COVID-19?

Água ou chá quente mata o Coronavírus.

Os melhores chás são de erva-doce ou de abacate com limão para se prevenir da COVID-19.

Ingestão de álcool mata o vírus.

Fazer gargarejo quando sentir dor de garganta impede que o vírus chegue até o pulmão.

Aposentados que estiverem na rua após 20/03 terão sua aposentadoria cancelada e seus filhos e/ou netos terão que pagar multa de R$ 1.045,00.

O plástico bolha que vem da China está contaminado com Coronavírus.

Se você respirar fundo e prender a respiração por mais de 10 segundos sem tossir, você não está infectado com o Coronavírus.

            O que estas frases têm em comum? Todas são Fake News. Além destas, dezenas de outras estão sendo compartilhadas diariamente em forma de texto, imagem, áudio ou vídeo pelo WhatsApp e redes sociais por todo o Brasil e até pelo mundo. Pois é, nós não somos os únicos que caímos em notícias falsas. E elas conseguem se disseminar em uma velocidade muito mais rápida do que a do próprio vírus.

INFORMAÇÃO EM EXCESSO

Para muitos de nós, tudo isso pode parecer uma grande baboseira e até surreal pensar que algumas pessoas possam acreditar nessas mentiras. Mas garanto a vocês, as pessoas acreditam, compartilham, tomam isso como verdade e podem até morrer ou piorar toda a situação. Por exemplo, no Irã 40 pessoas morreram por complicações decorrentes da ingestão de álcool puro do tipo usado na limpeza ou bebidas contrabandeadas. No Brasil, muitas pessoas estão tomando chás quentes pensando estar se protegendo no vírus, quando na verdade podem já estar contaminadas transmitindo-o por aí.

             A preocupação com as Fake News está tão grande que o Ministério da Saúde chegou a fazer uma página dedicada ao monitoramento dessas notícias e a checagem dos fatos. Para quem tiver interesse, o link é https://www.saude.gov.br/component/tags/tag/novo-coronavirus-fake-news?limitstart=0 e ali você mesmo pode verificar se o que está surgindo nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens é fake ou verdade.

            O que de tudo isso me chama muito a atenção é ter que explicar o óbvio em meio a uma pandemia, que já vitimou mais de 10 mil pessoas ao redor do mundo. Já falei outras vezes sobre Fake News, mas parece que o assunto é inesgotável, e diante de algo tão sério quanto o Coronavírus, é preciso voltar a falar novamente. Vendo o que está acontecendo, com o acesso inesgotável de informações que temos hoje nas palmas das nossas mãos, com os canais de tv falando a todo instante sobre o assunto, qual a dificuldade que o ser humano tem em acreditar em quem é especialista no tema? Por que acreditar que uma mensagem recebida no WhatsApp carrega mais verdade do que as explicações dadas por médicos e pesquisadores?

             É fato que estamos passamos por uma pandemia de um vírus que sofreu uma mutação e que tem um comportamento bem parecido com o vírus da gripe. O Coronavírus está aí e está infectando milhares de pessoas, sendo especialmente mais grave em idosos. E os números não param de subir. Também é fato que higienizar muito bem as mãos com água e sabão e álcool gel a 70% é extremamente eficaz para evitar a contaminação, assim como manter-se dentro de casa saindo somente em caso de extrema necessidade, evitar aglomerações e tossir ou espirrar usando a dobra do cotovelo ou antebraço. Há portanto muitas verdades inquestionáveis e que são eficazes. Mas, se já estamos passando por essa enorme pandemia, porque criar duas outras? Sim, através das Fake News, criamos a pandemia da informação (no que devemos acreditar?) e do medo (como será o fim disso tudo?).

            Sobre a informação, acredito que devemos sim nos informar. Mas escolher fontes de informações confiáveis, e não de mensagens, vídeos e áudios de WhatsApp que foram transmitidos pelo irmão do vizinho da sua prima. Ah, e não é porque você recebeu uma notícia mais de uma vez que significa que ela é verdadeira. Fake News geralmente se disseminam muito rapidamente. Então provavelmente você vai receber uma notícia falsa várias e várias vezes. E isso não vai torná-la verdadeira.

            Já em relação ao medo, quanto mais as Fake News surgem, mais a histeria – e o pânico – pode se espalhar entre a população. Por exemplo, veja o caso do medicamento Hidroxicloroquina. Ele está sendo testado em alguns pacientes (até agora 20) para o tratamento da COVID-19. Está se mostrando promissor, mas ainda não é recomendado, sendo muito incipiente e arriscado afirmar que ele pode curar essa doença. Mas não foi isso que foi compartilhado, muito pelo contrário. O que aconteceu? Muitas pessoas correram nas farmácias, esgotaram os estoques desse remédio e, quem realmente faz uso dele, como os que precisam se tratar contra o lúpus ou artrite reumatóide, não estão encontrando mais o medicamento. Estes pacientes estão ficando desesperados porque precisam se tratar e não acham o remédio em lugar nenhum. Ao mesmo tempo, há os riscos da automedicação. Ou seja, pessoas com medo do Coronavírus vão para as farmácias para que possam comprar algo que nem sabem como usar, em que momento, dosagem certa ou quais efeitos colaterais terão por tomar algo considerado de toxicidade alta.

QUAIS REMÉDIOS SÃO REALMENTE EFICAZES?

            Sei que o medo paira no ar. Mas não precisamos ficar pensando no que isso tudo vai dar, se teremos a cura rápido, se os seus entes queridos serão contaminados, se vai faltar comida ou papel higiênico. Ainda não há medicamento, substância, vitamina ou alimento específico capaz de evitar o contágio. Mas nós temos como agir, fazendo a nossa parte, seguindo as recomendações de quem entende do assunto e evitando cair em Fake News.

            Por isso, não propague notícias falsas. Ao receber qualquer informação, antes de repassar pesquise se é verdade ou não. E há várias formas de fazer isso. Você pode enviar gratuitamente mensagens com imagens ou textos que tenha recebido nas redes sociais para confirmar se a informação procede, antes de compartilhar. O número é (61) 99289-4640 e quem apura as informações são as áreas técnicas do Ministério da Saúde e são respondidas oficialmente se são verdade ou mentira. Nesse caso, é só entrar no site do Ministério através do link que passei acima para verificar as respostas e o que já foi desmentido ou confirmado. Outra opção é baixar o aplicativo Coronavírus-SUS (tem para Android e iOS) para ter de forma rápida e simples dicas de prevenção, descrição de sintomas, formas de transmissão, mapa de unidades de saúde e até uma lista de notícias falsas que foram disseminadas sobre o assunto.  Alguns Estados também estão adotando medidas para evitar a propagação das Fake News. No site do governo de Minas Gerais há divulgação de informações verificadas acerca da doença. O governo de São Paulo criou um canal exclusivo de comunicação (spcoronavirus no Telegram) para informar sobre formas de prevenção e enfrentamento ao COVID-19. Oportunidades de se informar temos várias. Basta querer. Por isso, além de se proteger contra o vírus, proteja-se também contra o que está sendo compartilhado por aí. O momento que estamos passando já é delicado demais para disseminarmos informações falsas e o medo. Cautela e bom senso devem prevalecer, porque somente assim vamos conseguir passar por isso juntos, mesmo cada um fazendo individualmente a sua parte.

Por Deivison Pedroza – CEO Grupo Verde Ghaia

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