O fim dos likes: qual o impacto disso na sua vida?

Quantas vezes você postou uma foto ou um vídeo e ficou observando quem curtia (e até quem não curtia), ansioso esperando por mais likes ou chateado porque não teve tanto quanto imaginou inicialmente?

Às vezes, até eu fico chateado quanto vejo que um texto que eu me dediquei tanto a fazer não foi tão bem recebido por vocês. Sim, porque a métrica e a maneira mais fácil para eu saber se estão gostando ou não do que escrevo é pelas curtidas e comentários que recebo em cada publicação. O seu like é uma métrica para esse meu trabalho. Na Verde Ghaia é completamente diferente, o retorno é diferente, e o grau de satisfação do cliente é medida de várias outras maneiras. Ainda bem.

Uma curtida tem um poder inimaginável. No mundo virtual, uma grande quantidade dela vale mais que milhões de palavras. As curtidas podem transformar seu dia e aumentar sua autoestima, como podem também te causar uma grande depressão e crises de ansiedade. Não estou exagerando. Muitos estudos hoje estão se dedicando a analisar o que esse mundo de likes está causando em nossas vidas. Os resultados não são animadores: as redes sociais impactam negativamente nossa saúde mental, gerando ansiedade e problemas psicológicos, sendo a depressão um dos principais, especialmente entre os adolescentes.

Se você não é adolescente, não pense que está escapando disso! Pode acontecer com qualquer um que veja fotos e vídeos de mulheres lindas – e bem photoshopadas –, de lugares paradisíacos, de comidas em restaurantes caríssimos, fotos com lindos sorrisos, roupas maravilhosas, carros de última geração, família toda reunida… Você começa a comparar sua vida com o que é mostrado nas postagens e pode pensar que nunca isso vai acontecer com você, e pode bater uma tristeza, uma frustração, uma busca sem sentido por aceitação, revolta, e por aí vai.

Tem uma frase de Montesquieu que ilustra muito bem isso: “Se quiséssemos ser apenas felizes, isso não seria difícil. Mas como queremos ficar mais felizes do que os outros, é difícil, porque achamos os outros mais felizes que realmente são”.

Então, seria possível acabar com as redes sociais? Sabemos que não. Mas seus responsáveis estão de olho nesses impactos que elas causam e estão começando a tomar algumas medidas a fim de diminuir esses problemas. Como por exemplo acabar com as poderosas curtidas em fotos e vídeos do Instagram.

No dia 30 de abril aconteceu em San Jose, no Vale do Silício, a F8, a conferência anual dos desenvolvedores do Facebook. Foi de lá que veio uma notícia no mínimo interessante e um tanto quanto polêmica: o porta-voz do Instagram, Adam Mosseri, anunciou, entre várias outras mudanças, que iriam começar os testes para ocultar os likes de vídeos e fotos no Canadá nesta rede social. A justificativa para isso é de que eles querem que “os seguidores se concentrem nas fotos e nos vídeos que compartilham e não em quantos likes eles possuem”.

Dessa maneira, o número de curtidas recebidas não será mais mostrado. Apenas quem fez a postagem poderá visualizar estas informações. Assim, o Instagram acabaria com a comparação extremamente negativa entre pessoas comuns e celebridades em geral, inclusive as que não são tão celebridades assim, mas que possuem muitos seguidores e curtidas em suas publicações.

Qual seria o impacto do fim dos likes na sua vida?

A resposta depende de como você usa as redes sociais.

            Na sua vida pessoal, não há dúvidas de que as curtidas são um termômetro de popularidade. Mexe com o ego. Faz se sentir melhor ou pior. Então, o fim dos likes poderá trazer muitos benefícios e diminuir a competitividade entre os usuários, porque os números vão parar de dizer se você é melhor que o outro ou não.

Na área profissional, hoje o número de likes importa mais que o de seguidores, porque estes muitas vezes podem não ser engajados por vários motivos, como contas fakes e contas que não são mais usadas. Por isso, o fim dos likes pode acabar também com aquelas coisas chatas que sabemos que existe, que são as curtidas e seguidores falsos obtidos através de aplicativos e programas. Dizem que não são falsos, mas se não foram conseguidos de maneira orgânica, qual a veracidade disso?

Como o número de curtidas pode ser uma métrica de evidência de engajamento, as estratégias de marketing digital precisarão ser revistas, principalmente se você depende de influenciadores digitais para divulgar seus produtos e serviços, já que eles são atualmente os melhores modos de atingir um público grande com baixo investimento. Aliás, os influenciadores digitais sofrerão bem mais diretamente essas mudanças. São eles que dependem necessariamente da quantidade de likes em suas fotos e vídeos para provarem que são populares, vistos e seguidos, a seus possíveis contratantes.

Se realmente se tornar realidade essa nova estratégia do Instagram, é preciso começar a concentrar-se mais em imagens e vídeos de qualidade, para gerar engajamento real. É tornar o mundo virtual mais semelhante ao mundo real. É se importar mais com conteúdo e não com números. É prezar mais a qualidade que a quantidade.

Por isso, o fim dos likes que começará a ser testado pelo Instagram talvez venha a nos ajudar a parar de achar os outros mais felizes do que realmente são. Assim, começarmos a entender que a grama do vizinho é tão verde quanto a nossa.