Quanto você está disposto a investir em você?

O que você faria se recebesse todo mês, durante um ano, um salário mínimo a mais? E não é pelo seu trabalho não, nem é seguro-desemprego. Seria como uma gratificação, um bônus, chame como quiser, mas é um dinheiro que todo mês cairia na sua conta de banco sem você ter que fazer nada por isso. Simplesmente estaria lá R$ 998,00.

Para alguns de vocês esse dinheiro pode parecer muito pouco. Mas para a maioria dos brasileiros é o dinheiro que tem para sobreviverem o mês todo. Menos de mil reais para pagar aluguel, as contas, comer, ir até o trabalho, sustentar a família. Então fazem um bico aqui outro ali, assumem dois empregos, até três, porque precisam complementar a renda para sobreviverem. Só não param de trabalhar.

De repente aparece essa possibilidade de todo mês receber um salário mínimo a mais. Se fosse com você, nessa situação, você continuaria trabalhando normalmente e usaria esse dinheiro a mais para investir em você, na sua casa, trocar de carro, ou em algum sonho que você tenha, ou largaria seu emprego atual para viver durante um ano sem ter que trabalhar e ainda recebendo por isso?

Ah, e se você acha o valor de um salário mínimo muito baixo, use o seu salário atual como referência. Pensando nesse valor, o que você faria? Continuaria trabalhando normalmente e usaria esse dinheiro a mais para investir em algo ou em você mesmo, ou deixaria seu emprego e depois de um ano iria se preocupar com o que fazer da vida novamente?

Eu acredito que a resposta a esse tipo de pergunta diz muito sobre uma pessoa. É até boa para se fazer em uma entrevista de emprego para ajudar a decidir qual tipo de profissional você quer trabalhando na sua empresa.

Não há nada de errado em escolher uma ou outra. Cada um sabe o que deseja alcançar. A questão é que aqueles que escolhem viver um ano da sua vida através do benefício são aqueles que veem o pouco como suficiente. Parece que não há uma visão de futuro porque não se pensa a médio e longo prazo. Importa somente o aqui e o agora.

Vão viver um ano tranquilamente? Pode ser que sim. O lado bom é que será um período de um bom descanso, porque afinal não terá que se trabalhar. E um ano passa bem rápido.

Porém, sabemos como está o mundo do trabalho hoje. Mais de 13 milhões de desempregados, muitos empregos ruins por aí, muita gente formada trabalhando em outra área que não a da sua formação, pessoas muito boas estão se especializando cada vez mais e todos os setores estão muito mais competitivos. Se hoje você sair do seu emprego, mais umas três ou quatro pessoas iguais ou melhor que você podem estar prontas para assumir sua vaga. Isso só para citar alguns exemplos.

Então, como se acomodar durante um ano com um cenário desses?

Se alguém me perguntasse qual a minha escolha, com certeza eu iria investir na minha empresa e em mim. É óbvio que continuaria trabalhando normalmente. Não é porque eu ganhei um dinheiro a mais que posso me dar ao luxo de estacionar na vida. Aliás, quem estaciona é carro, e carro estacionado não chega a lugar nenhum. Como eu ainda quero chegar muito longe, meu único caminho é sempre seguir em frente.

Descansar também é preciso. Descanse nas férias, descanse aos finais de semana e feriados, mas jamais se acomode na vida. Qualquer oportunidade que você tiver com um dinheiro a mais, busque melhorar a você mesmo ou faça esse dinheiro te ajudar a realizar algum sonho, pessoal ou profissionalmente. Você sabe onde quer estar daqui dez, vinte, quarenta anos? Sabe o que precisa fazer para chegar lá? Então não desperdice as oportunidades.

Se uma chance assim nunca surgir na sua vida, não tem problema nenhum. A vida já mostrou a você qual o seu melhor caminho. Continue trabalhando, focado, sabendo o que quer e onde quer chegar.

Não opte pelo caminho mais fácil, pense pra frente e não siga a boiada. De iguais o mundo já está cheio, por isso agora é necessário aqueles que façam a diferença.

E então, qual a sua escolha?