Você resolve um problema ou satisfaz seu ego?

Essa é uma das perguntas mais importantes que devem ser feitas em qualquer situação da vida, principalmente no mundo do empreendedorismo. Também é uma das mais difíceis de se responder.

Ela pode assumir várias versões. Por exemplo: o que você vende é para solucionar uma dor do mercado ou é algo que você acredita ser fantástico e então deve ser vendido? Seu negócio foi criado para causar uma transformação na vida do seu público-alvo ou para resolver um problema que você tem?

Você, ao ter que resolver um problema que surge, vai considerar a melhor maneira para resolver, mesmo que isso lhe desagrade, ou vai continuar firme na sua opinião e fazer o que simplesmente achar melhor, sem considerar outros pontos de vista?

Satisfazer o ego é sempre o caminho mais fácil. Mas nem sempre é o mais correto, seja ética, profissional ou financeiramente falando. Por isso, saber analisar quantas vezes e em quais situações você deixa seu ego falar mais alto é importantíssimo no mundo de hoje, e também o primeiro passo para o controlar.

Eu vou dar um exemplo de como tento controlar meu ego quando se trata do mundo dos negócios.

Eu como CEO da Verde Ghaia, tenho um lema de estar sempre quatro anos à frente de meus concorrentes, e por isso invisto muito em tecnologia e inovação. Sei da capacidade de toda a minha equipe e, por isso, seria possível aperfeiçoar mais ainda o produto que já temos hoje e desenvolver algo incrível, revolucionário e muito mais moderno em relação a tudo que existe no Brasil. Mas então eu me pergunto: o mercado, hoje, está preparado para receber um software assim? Qual a fatia real do mercado que apostaria nisso e que teria capacidade para trabalhar com esse sistema? Valeria a pena financeiramente eu realizar esse meu desejo?

Por um lado, seria incrível eu poder ser o primeiro a desenvolver toda essa tecnologia, lançar no mercado, ser uma referência… meu ego adoraria. Porém, na realidade seria um tipo de elefante branco para minha empresa porque no momento o mercado não absorveria. Portanto, não resolveria um problema atual, mas sim apenas satisfaria meu ego de empreendedor a um custo muito alto.

Isso significa que não devo inovar? Muito pelo contrário! Steve Jobs, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg, só para citar nomes famosos, provaram que inovar é preciso. Mas conhecer o mercado e o seu público antes disso é essencial, porque muitas vezes o empreendedor tem uma ideia genial, mas completamente desconexa da realidade.

No meu caso, como quero estar à frente de meus concorrentes, preciso primeiro saber o que eles estão fazendo, para fazer melhor e, principalmente, tenho que ter a certeza do que o mercado está carente. Não vou simplesmente acreditar no meu achismo. Vou estudar a fundo se o que acho está certo ou não. Vou ouvir outras pessoas. Vou conversar com meus clientes, sejam antigos, atuais ou aqueles que ainda não fecharam venda comigo. Vou analisar o mercado. Vou me dedicar para ter certeza que estarei resolvendo um problema, e não apenas dando ouvidos a meu ego.

Se agora o mercado não estiver preparado, ok. Compreendo, mas também não vou jogar minha ideia fora. Sei que no momento atual ela não seria viável por “n” motivos, mas talvez mais a frente seja completamente plausível lançar esse tipo de produto. Estudos aprofundados comprovam isso, não o meu achismo.

Também posso tentar lançar meu produto mesmo assim. Com certeza terei mais chances de ganhar na megasena acumulada no final do ano do que ter sucesso nessa empreitada. Teimosia, burrice, coragem, loucura, chamem do que quiser.  Caso dê certo, meu ego ficará satisfeito e eu terei a certeza que tive mais sorte que juízo.  Até que ponto isso vai valer a pena?

Bom, com certeza eu não tentaria lançar nada depois de muito analisar e descobrir que não é o momento ideal. Inovação e tecnologia são palavras de ordem para mim, mas meus clientes são mais importantes que tudo. Se agora eles não estão preparados ou não querem algo tão moderno, tudo bem, eu posso esperar um pouco mais. Talvez já posso ir preparando-os aos poucos para algo mais inovador.

Tudo com calma, tudo com muito estudo, tudo com muito conhecimento, sempre a frente da concorrência e tendo como foco meus clientes. É, talvez seja isso que faça eu controlar meu ego em tantas situações diárias.

Tente você também. Resolva realmente um problema, descubra o motivo pelo qual sua empresa existe, compreenda o que os outros necessitam de verdade, vá além de uma primeira impressão para enxergar nos problemas do dia a dia oportunidades de crescimento para a empresa e para você mesmo, a fim de inovar de forma sistêmica e contínua. Somente assim você descobrirá qual é a linha tênue entre resolver um problema real ou satisfazer seu ego.