Hoje é mais um dia na minha busca pelo sucesso

Todo dia, quando saio da Verde Ghaia, faço o mesmo caminho. Um dos semáforos que eu pego no trajeto demora bastante para abrir. Geralmente o encontro aberto ou praticamente mudando do vermelho para o verde, mas hoje foi diferente. Vi o semáforo fechando de longe e já sabia que ia esperar. Então resolvi observar.

Sabia que lá ficava um jovem. Nas outras vezes que o sinal estava abrindo, eu via o que ele fazia. Ele deixava alguma coisa no retrovisor assim que o sinal ficava vermelho, quase correndo para conseguir colocar na maior quantidade de carros possível. Chegava até um certo ponto, voltava também correndo e pegando o que havia deixado. Das vezes que consegui ver, uma ou duas pessoas no máximo entregavam dinheiro para ele em troca do que colocava ali – geralmente saquinhos de pipoca doce ou aquelas paçocas no formato de rolha.

Como eu não ficava esperando muito, ele nunca chegou a colocar nada no meu carro. Mas hoje eu teria a chance de ver. Como sempre fazia, passou correndo e deixou um saquinho, com quatro paçocas rolhas e um papel. Nele estava escrito:

“’O sucesso é a soma de pequenos esforços, repetidos dia sim, e no outro dia também’ (Robert Collier). Hoje é mais um dia na minha busca pelo sucesso. Colabore comigo hoje. Obrigado!”

Na hora relembrei da minha vida, de quando tinha a idade desse mesmo garoto que estava hoje no semáforo. Dos quatorze aos dezoito anos eu trabalhei numa banca de jornais. Todos os dias, de domingo a domingo, tinha que me levantar da cama às 4h da manhã para ir até o centro da cidade buscar as revistas e os jornais e depois arrumar tudo para que a banca pudesse estar aberta às 7h. E para estudar, eu tinha que sair da banca ao meio dia, pegar dois ônibus e continuar mais um pedaço a pé até onde ficava a escola. Chegava em casa já era noite.

Conforme ia ganhando meu dinheirinho com bastante esforço, também ia aumentando a vontade de comprar mais coisas. Eu queria uma mochila e um tênis que todos usavam na época, queria também poder comprar um salgado ou um caldo de cana entre o trabalho e o colégio. Eu sabia que para ter tudo isso, teria que me esforçar.

Percebi que aos domingos todo mundo queria soltar pipa, mas a maioria não sabia fazer ou nem queria perder tempo com isso. Então, eu mesmo comecei a produzir as pipas durante a noite para chegar no domingo e vendê-las na banca. Chegava a vender mais de cinquenta pipas. Tudo isso me ajudou a ter mais dinheiro para comprar o que desejava. Não era muito, mas para mim, naquele momento, era o suficiente e me fazia me sentir bem-sucedido.

O tempo foi passando e os desejos foram mudando. Os objetivos também e os sonhos foram cada vez ganhando contornos mais sólidos. Minha vida foi mudando e a quantidade de trabalho só aumentando. São tantas histórias!

Bom, mas vamos ficar por aqui hoje. Assim como o jovem do semáforo ficou por lá entregando mais paçocas em busca de mais pessoas que pudessem colaborar com o sucesso dele.

Não sei o que aquele jovem do semáforo entende por sucesso. Onde ele quer chegar. Mas eu acredito que ele está no caminho certo. Porque ele sabe que nada vem de mão beijada e que a zona de conforto é um lugar terrível para ficar estacionado na vida. Estar se esforçando um dia sim e no outro também.  Aliás, não me recordo de nenhum dia que passei por ali e que não tenha o visto na sua correria entre os carros.

Tenho certeza que amanhã vou encontrá-lo por lá novamente. Dessa vez vou querer conversar com ele. Saber mais da sua vida. Conhecer o que ele quer alcançar. Eu colaborei hoje. Mas quem sabe posso colaborar amanhã também? E não é só comprando paçoquinha ou pipocas não. A gente pode ajudar de tantas maneiras! O dinheiro é apenas uma delas.

Ah, depois que conversar com ele, vou contar o resto da história para vocês. Por enquanto, só me resta a curiosidade de saber mais desse garoto que acordou em busca do sucesso.

Mas agora me fale sobre você: você já colaborou com o sucesso de alguém? Ou imagina ter colaborado? Já passou por algo semelhante ao que eu passei hoje?

Antes de terminar, caso queira conhecer melhor todas as fases pelas quais passei na minha vida – e os aprendizados que tirei de cada uma delas que me fizeram chegar onde estou hoje –, eu conto detalhadamente no livro “Sobre bicicletas e sucesso”. Ele foi escrito com muito carinho para quem sabe, inspirar você também a ser bem-sucedido em sua vida, independente do que a palavra sucesso signifique para você.