Nenhuma crise é maior que os brasileiros

“A boa notícia é que hoje, mais do que nunca, temos todas as condições de mudar o nosso rumo”. Essa é a mensagem principal do Manifesto #emfrenteMinas do Sistema FIEMG.

Mais do que nunca, eu também acredito nisso.

E mais que apenas Minas Gerais, acredito que todo o Brasil é capaz de seguir em frente. Que nenhuma crise é maior que nenhum brasileiro.

Afinal, por quantas crises já passamos, nos reerguemos e seguimos em frente mais fortes? Desde que o Brasil é Brasil as crises acompanham nossa trajetória e crescimento.

Veja alguns exemplos.

Em 1822 a independência do nosso país trouxe com ela uma crise econômica devido à diminuição da exportação do açúcar. O governo brasileiro precisou fazer empréstimos da Inglaterra para indenizar Portugal pela independência e financiar a guerra da Cisplatina. O que os fazendeiros fizeram? Começaram a exportar café para movimentar a economia nacional.

Porém, com a quebra de bolsa de Nova York em 1929, as exportações de café diminuíram. Getúlio Vargas então mudou a estratégia: começou a investir na criação da infraestrutura para o desenvolvimento da indústria no Brasil. Resultado: o processo de industrialização começou entre as décadas de 1940 e 1950.

A ideia deu tão certo que tivemos o momento do “Milagre Econômico”, com crescimento médio do PIB de mais de 10% ao ano, entre 1968 e 1973. Mas, os empréstimos dos EUA começaram a aumentar, e as taxas de juros também. A dívida externa do Brasil ficou enorme e na década de 1980 tivemos uma grande crise financeira. Quem se lembra da variação enorme da inflação nesse período, que chegou a ultrapassar 350% ao ano? Foi uma época bem difícil.

Entre 1990 e 1992, com o Plano Collor, aumentou a recessão econômica e a crise piorou, devido ao confisco de recursos dos brasileiros e das empresas. Mas, o Plano Real, em 1994, veio para estabilizar a economia. Até quando? Porque os juros eram altíssimos e a houve privatização de muitas empresas públicas para manter a moeda valorizada.

Em 1998-99, houve um colapso financeiro dos Tigres Asiáticos e quebra de bancos de investimentos. O dólar sobe, o Banco Central promove a desvalorização do Real, e novamente houve um período de estagnação econômica. Porém, a alta do dólar acabou ajudando as exportações.

Em 2001, devido à crise da Argentina, racionamento da energia e atentados nos EUA, houve mais uma crise. Mas o fim do racionamento e a melhoria do setor externo ajudaram as exportações e houve nova recuperação econômica.

Em 2004 começamos novamente a superar essa crise, com o fortalecimento o mercado interno e se iniciando assim um novo ciclo de crescimento. Até chegar 2008, com a implosão do mercado imobiliário americano. Mais uma crise. Para sairmos dela, foram feitas políticas de estímulo ao consumo interno.

Tudo aparentemente ia bem até aproximadamente abril de 2014. Desde então, se iniciou um novo período ruim, que foi até o final de 2016, com uma queda total acumulada de 8,6% no PIB brasileiro. O motivo? Crise fiscal acentuada pela fraca demanda global, fim do ciclo das commodities e uma enorme crise política.

Esta crise tenho certeza que está bem fresca na memória de todos nós. Ela também é diferente: está demorando um pouco mais para a economia reagir, e os índices tímidos comprovam isso: em 2017 e em 2018, quando o país começou a sair da crise, o PIB do Brasil cresceu 1,1% a cada ano. Tudo bem que tudo ainda é recente, porém em outros períodos que também houveram recessão econômica, a retomada do crescimento foi relativamente mais rápida.

Por isso, vale lembrar que em 2018 tivemos greve dos caminhoneiros, as incertezas políticas e eleitorais e a piora do cenário internacional. Mas mesmo assim o setor industrial cresceu no ano passado, depois de 4 anos negativo: houve alta de 2,3% na produção e distribuição de eletricidade, de 1,3% na indústria de transformação, puxada pela produção automotiva, de 1,0% na extrativa, impulsionada pela extração de minério, e a queda de 2,5% na construção civil. Na média, cresceu 0,8% em 2018.

Hoje não temos mais incertezas políticas: temos um novo governo que chega com o compromisso de fazer mudanças que não podem mais ser adiadas e que prometem acabar com os desperdícios e entraves que colocaram o Brasil na crise.

Seja através da Reforma da Previdência, tão necessária hoje; seja criando oportunidades de trabalho para os mais de 13 milhões de desempregados; seja por meio da melhora da segurança pública; seja com uma reforma tributária para que mais pessoas realizem seus sonhos de empreender e também para tornar as empresas brasileiras mais competitivas; seja através de leis que promovam boas práticas e não apenas visem punir infrações, permitindo assim o crescimento sustentável das indústrias; seja com tantas outras mudanças necessárias.

 O que importa é que estamos diante de mais um período no qual é preciso olhar para dentro, identificar as falhas em processos e estratégias, pensar em soluções e adotar novas medidas para vencer a crise, de forma prática e eficiente. A história mostra que isso deu certo. O povo brasileiro já demonstrou que deseja mudanças.  

Portanto, nenhuma crise é maior que os brasileiros. Somos resilientes, corajosos e criativos, sendo capazes de transformar problemas em oportunidades. Agora é o melhor momento para colocarmos isso em prática. Então, #prafrenteBrasil!