Seja o empreendedor da sua própria vida

“Qualquer indivíduo que tenha à frente uma decisão a tomar pode aprender a ser um empreendedor e a comportar-se como tal. O empreendedorismo é um comportamento, e não um traço de personalidade (Peter Drucker).

Essa frase é de Peter Drucker. Ele foi escritor, professor e consultor administrativo, sendo considerado o fundador da administração moderna. Escreveu 39 livros, revolucionando a maneira de pensar a gestão em uma organização. Ele é referência e é muito respeitado no mundo do empreendedorismo, foi um homem à frente no seu tempo.

Por exemplo, há quase 80 anos, lá na década de 1940, ele já falava sobre descentralização no mundo dos negócios. Poderia parecer uma certa loucura na época, mas hoje a maioria das organizações no mundo todo trabalham com esse princípio.

Você já deve ter ouvido também sobre a necessidade de se concentrar nas oportunidades que aparecem e não nos problemas que eventualmente possam surgir. Isso também vem de Peter Drucker. Guarde essa frase que vou voltar a ela mais tarde.

Drucker sabe do que está falando quando afirma que o empreendedorismo é um comportamento, que você pode aprender a ser um empreendedor e a comportar-se como tal.

Isso inclui os professores. Sim, professor também pode ser um empreendedor. À primeira vista parece que empreendedorismo não tem nada a ver com docência. Entretanto, empreender significa muito mais, e não precisa estar diretamente relacionado a negócios. Empreender é um comportamento aplicável a várias áreas, principalmente à vida pessoal de cada um. Por isso você pode ser o empreendedor da sua própria vida.

Mas vamos com calma. Primeiro vamos entender o que é ser empreendedor para que, em seguida, eu possa mostrar como você também pode se tornar um, apenas através de mudança de comportamento. Posso falar com propriedade sobre esse assunto, porque aprendi muito bem com a vida que o pensamento certo e o comportamento adequado podem fazer você alcançar tudo aquilo que deseja. Como por exemplo estar aqui hoje falando com vocês.

Se eu que era um menino pobre, com uma infância e adolescência bem difícil, pude me tornar um dos 150 melhores CEOs do Brasil depois de ter fundado a Verde Ghaia, e que hoje conta com mais de 140 colaboradores e 3.200 clientes em todo o Brasil, América Latina e África, imagina vocês, na posição que já ocupam hoje, até onde poder chegar se mudarem também a forma de encarar o empreendedorismo? Sabe quando dizem que o céu é o limite? Para vocês será pouco.

Mas vamos ao que interessa. Afinal, o que é ser empreendedor? A palavra empreendedor vem do verbo empreender, que no dicionário significa “resolver-se a praticar algo; tentar”, e também “pôr em execução; fazer, realizar”.

O autor Ronald Jean Degen aprofunda ainda mais esse conceito. Em seu livro “O empreendedor: empreender como opção de carreira”, explica que empreendedor deriva do inglês entrepreneur, que, por sua vez, vem do termo do francês antigo “entreprendre”, um vocábulo formado pelas palavras entre – do latim inter, que significa reciprocidadade – e preneur – do latim prehendre, que significa comprador. Dessa forma, “a combinação das duas palavras, entre e comprador, significa simplesmente intermediário”.

Para exemplificar, ele usa o exemplo do mercador e explorador Marco Pólo (1254-1324), que foi um dos primeiros europeus a percorrer, para fins comerciais, “o caminho da seda” para a China, no século XIII. Como era costume na época, Pólo assinou contratos com banqueiros-capitalistas que forneciam os recursos financeiros para os seus empreendimentos e depois compravam todos os produtos que ele trazia das viagens. Os banqueiros atuavam como as empresas atuais de capital de risco. Marco Pólo era o mercador-aventureiro com papel ativo, que assumia todos os riscos comerciais e pessoais nas viagens e, ao final de sua jornada, ficava com parte dos lucros do empreendimento.

 A partir desse exemplo, entendemos empreendedor como “aquela figura que tem a visão do negócio e não mede esforços para realizar o empreendimento. A realização do empreendedor é ver sua ideia concretizada em negócio”. Portanto, empreendedor é diferente de ser empresário. Empresário é o dono ou o responsável por uma empresa, faz as tarefas burocráticas, é responsável profissional por carreiras. Está ligado à empresa em si. Um empreendedor, não necessariamente, porque “o empreendedorismo constitui-se em um conjunto de comportamentos e de hábitos que podem ser adquiridos, praticados e reforçados nos indivíduos, ao submetê-los a um programa de capacitação adequado de forma a torná-los capazes de gerir e aproveitar oportunidades, melhorar processos e inventar negócios”.

Bom, então como, naquela época, Marco Pólo poderia ser capaz de já ter uma visão e comportamento empreendedor, sabendo de todos os riscos que ele corria? Como ele não teve medo e seguiu em frente, e tornou-se um nome conhecido até os dias atuais?

Será que ele era uma pessoa de sorte? Garanto a vocês que não.  Até pode ser que houvesse sorte em alguns momentos, mas ela veio somente depois de muito esforço e trabalho duro, de não desistir diante da derrota e tornar cada fracasso um aprendizado para se tornar mais forte diante da vida e continuar batalhando pelos seus sonhos.

Se mesmo assim vocês acham que foi sorte, tudo bem. Mas sabia que esse pensamento que vocês têm das outras pessoas acaba determinando também os seus próprios pensamentos e as suas vidas? Se vocês acreditam que o sucesso é simplesmente sorte, então qual o motivo de vocês se levantarem da cama todos os dias, estudarem para montarem a melhor aula possível para seus alunos, buscarem conteúdos e métodos novos, fazerem cursos, assistirem a palestras, quererem aprender sempre mais? Por que vocês vão se esforçar se quem vai determinar tudo é a sorte e não o que vocês fazem ou deixam de fazer?

Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos e um dos principais autores da independência daquele país, disse um dia: ““Eu acredito demais na sorte. E tenho constatado que, quanto mais duro eu trabalho, mais sorte eu tenho”.

Então, o que pessoas comuns chamam de sorte, aquelas que conquistaram o seu sonho chamam de trabalho e esforço, porque só elas sabem tudo o que passaram, cada não, cada porta fechada, cada dificuldade, cada obstáculo, cada derrota, cada fracasso. Não é a sorte que vai dizer se vocês vão alcançar ou não o que deseja. A sorte pode existir em algumas situações, mas até para ela acontecer é necessário criar as condições ideais, para “estar no lugar certo na hora certa”.

Voltando então à pergunta que fiz, por que Marco Pólo foi tão bem-sucedido em sua empreitada? Sorte? Não. A resposta é muito mais simples: seu mindset permitiu isso.

Mindset, em uma tradução literal, significa configuração da mente (mind =mente; set = configuração). Podemos assim traduzir como a maneira de uma pessoa pensar, o seu modelo mental. Podemos chamar também de mentalidade. Mindset então seria nosso conjunto de crenças, ideias que temos sobre sucesso, dinheiro, felicidade etc. É a partir do mindset que encaramos as diversas situações do dia a dia, e é através dele que tomamos decisões. É por meio dele que definimos nosso desenvolvimento pessoal e profissional.

Carol Dweck, professora de psicologia na Universidade Stanford e especialista internacional em sucesso e motivação, é a autora de um excelente livro, que recomendo fortemente a leitura, chamado “Mindset: a nova psicologia do sucesso”. Nele, Dweck define mindset como a atitude mental com a qual encaramos a vida, sendo o fator determinante para o sucesso.

Mindset não seria apenas um traço de personalidade, mas sim a maneira de explicar porque somos otimistas ou pessimistas, bem-sucedidos ou não, resilientes ou acomodados em nossa zona de conforto. É o mindset que vai dizer como será nossa relação com o trabalho, com as pessoas, com os relacionamentos e até com os filhos. É ele que vai definir onde queremos chegar. É o mindset que nos faz correr atrás dos nossos sonhos. E acaba determinando se vamos alcançá-los ou não.

Dweck em seu livro nos faz rever comportamentos, atitudes e padrões de pensamento que estão no automático e nós nem paramos para questionar ou pensar sobre. Após essa reflexão, passamos a olhar para o sucesso e os obstáculos a partir de uma outra perspectiva. Vou te explicar melhor.

Em seu livro, Dweck acredita que existem dois tipos de mindset: o mindset fixo e o mindset de crescimento – ou mindset progressivo. Todos nós somos uma mistura de ambos os mindsets. Dependendo da situação, eles vão deflagrar comportamentos diferentes, especialmente quando se trata de problemas ou obstáculos que surgem em nosso caminho.

As pessoas que possuem o mindset fixo crê que as coisas são como são e as potencialidades humanas são imutáveis, isto é, são fixas. Ou seja, quem possui o mindset fixo acredita que as suas qualidades básicas não vão mudar, é assim e deu. Ou você é ou você não é. Ou você tem talento ou não tem. Não se dá valor ao esforço como algo capaz de aumentar a capacidade de conquistas, desenvolvimento e realização. Mudar é algo praticamente impossível.

Um exemplo é a inteligência. As pessoas de mentalidade fixa acreditam que nasceram com uma cota de inteligência que não irá mudar. Errar para elas é algo insuportável. Elas vão pensar: “eu nasci assim, não vou ficar mais esperto ao longo da minha vida”. Por essa crença limitada, elas tendem a evitar desafios e experiências novas com medo de parecerem menos inteligentes.

Além disso, pessoas com mindset fixo parte da posição de que todas as situações são avaliadas e julgadas: eu vou parecer esperto ou burro? Eu vou ganhar ou perder? Vou ser aceito ou rejeitado?

O curioso é que normalmente essas pessoas não têm uma autoestima muito baixa. É somente quando lidam com a derrota e se deparam com algum obstáculo que elas basicamente têm uma crise e ficam paralisados.

Os problemas do mindset fixo é que existe pouquíssimo espaço para o aprendizado e para a falha. Isso cria um ambiente hostil que exalta talentos “prontos” e marginaliza iniciantes. O mindset fixo é tão vaidoso que muitos jovens que estudam ou leem por horas afirmam para os outros que nem estudaram, resolvem os problemas com facilidade e escondem o custo real de seus resultados. É um tipo de vaidade que exalta o talento nato e cria uma visão limitada do desenvolvimento pessoal e profissional.

Por exemplo: você nasceu com o talento de resolver problemas de matemática. Para você é muito fácil resolver equações e cálculos. Você participa de vários concursos e campeonatos de matemática e ganha vários. Só participa porque sabe que vai ganhar. Então, um dia você perde. Você resolve um problema em um tempo maior que o outro competidor. Você se sente mal, incapaz, se isola e desiste de continuar participando de concursos, por receio de não ganhar mais nenhum e ser julgado pelos outros como uma pessoa “burra”.

Do outro lado está o mindset de crescimento, ou progressivo, que não é perfeito, mas encara os problemas e limitações como uma oportunidade para avançar. Quem desenvolve esse mindset tem como característica a busca por superação dos desafios da vida. Enxerga nos problemas oportunidades de aprimoramento contínuo. Acredita que sempre é possível aprender e que a nossa capacidade não é fixa. Havendo dedicação é possível se desenvolver continuamente.

Os obstáculos e as limitações sempre revelam uma oportunidade de superação e aprendizado. Nesse tipo de mindset, o esforço não só é essencial, como existe a crença e a valorização do trabalho duro e do mérito, em vez de apenas premiar o resultado.

Por exemplo: uma pessoa com o mindset de crescimento vai pensar assim: “se não sou bom em matemática, é porque não estudei o suficiente, sendo assim devo ler mais livros, estudar mais, resolver mais problemas, me desafiar mais ainda”. O mindset de crescimento não encara problema “de não ser bom em matemática” como um limite inerente àquela pessoa; ela não nasceu definida a ser ou não boa. Ela deve fazer por merecer, criar estratégias e trabalhar duro. Se ela não nasceu boa em matemática, pode se tornar ótima, se ela se esforçar. Quanto mais participar de concursos, mas vai aprender e se desafiar a ser melhor. Isso significa ter o mindset de crescimento.

O minsdet de crescimento é baseado na crença de que suas qualidades básicas são coisas que vocês podem cultivar através do esforço. Isso inclui sua inteligência, sua personalidade, seu caráter e sua esperteza.  O quão esperto você é? Não importa. Você pode ficar mais esperto ainda se trabalhar isso.

Ao trabalhar através do mindset de crescimento, você pode sim alcançar o sucesso que deseja. Porque ele está ligado muito mais a trabalho e empenho do que propriamente à sorte. Imagina Marco Pólo, no século XIII, convencendo os banqueiros de que sua ideia iria dar certo. Para isso, ele precisava acreditar nela, imaginar que tudo ia dar certo, depois era preciso buscar as melhores rotas, os melhores produtos, conhecer muito bem a região em que iria, os costumes, as pessoas, precisava saber negociar, ter a coragem de navegar e enfrentar os riscos e os territórios desconhecidos. Se o seu mindset não fosse de crescimento, talvez nem navegador ele seria. Porque para ter alcançado o sucesso, ele precisou romper os padrões existentes à época, precisou acreditar em si, necessariamente teve que acabar com qualquer pensamento fixo e limitante que possuía. Ele precisou experimentar uma mentalidade progressiva para convencer a si mesmo que estava pronto para lidar com as novidades, enfrentando qualquer dificuldade ou problema que pudesse existir no meio do caminho.

Quer um exemplo mais próximo e atual? Vou falar um pouco mais sobre mim. Há muito tempo eu escolhi ter o mindset de crescimento, mesmo sem saber que a forma que eu encarava a vida tinha esse nome. Se eu não tivesse feito essa escolha e nem me esforçado para que esse tipo de pensamento predominasse em minha vida, eu não estaria aqui hoje falando com vocês. Poderia ser ainda empregado de uma fábrica, cumprindo horários rígidos, fazendo malabarismos para pagar todas as contas no final do mês, aguardando ansiosamente meu período de férias para descansar um pouco. Eu tive uma infância muito humilde, pobre mesmo, e poderia ter aceitado que nasci daquele jeito, então deveria viver para sempre sem maiores ambições, aceitando migalhas quando poderia ser o dono da própria padaria.

            Um fato que mudou drasticamente minha vida, mas eu não tinha idade ainda para perceber o quanto, foi quando eu decidi ter uma bicicleta e meus pais definitivamente não tinham condições nenhuma de me dar uma. Assim, eu e meu irmão, que já pegávamos sucatas de um ferro-velho, decidimos montar a nossa própria bicicleta com as peças que íamos conseguindo.

Essa história detalhada eu conto no livro “Sobre bicicletas e sucesso”. Foi uma grande lição de vida para mim. Se tiver interesse, sugiro que leia, porque trará a vocês grandes ensinamentos também. Porque afinal, vocês conseguem imaginar como o sonho de uma criança pobre, que constrói sua bicicleta de peças de ferro velho, pode ensinar uma pessoa a ser bem-sucedida?  É verdade, foi através do sonho de ter uma bicicleta que eu alcancei o sucesso. Esse sonho foi o início de tudo.

Depois de ter a bicicleta os desafios continuaram: eu precisava aprender a andar com ela. Se eu, mesmo naquela idade, tivesse um mindset fixo, eu teria desistido ali e apenas ficaria observando minha bicicleta sentado, sem poder andar com ela e sentir a liberdade que isso significa. Ia deixar de viver experiências incríveis por medo de errar e cair. Eu tentei, errei, caí, levantei, aprendi a evitar cair, até que consegui andar.

Depois disso, toda vez na minha vida, quando ia fazer algo e sentia medo, me lembrava da sensação de quando consegui andar de bicicleta pela primeira vez. O medo dá espaço a uma satisfação indescritível. Quando você conquista o que tanto deseja, o sentimento é inexplicável. Só que se torna viciante, claro que no bom sentido da palavra, você quer sempre mais, para se tornar cada vez mais a melhor versão de si mesmo. Desde então, ajo assim. Meu mindset de crescimento me faz ser assim. Existe medo, mas a vontade de seguir em frente e tentar coisas novas para ser sempre melhor é maior que tudo isso.

Foi também o meu mindset que me fez ver oportunidades onde os outros veriam problemas – lembra da frase que citei no começo, de Drucker? Pois segui ela à risca. Foi minha mentalidade que nunca me fez desistir, por pior que a situação estivesse naquele momento. Eu sabia que era só uma fase. Eu sabia que tinha que aguentar firme. Sabia que precisava aprender com os erros que me fizeram chegar a tantas situações desagradáveis. Então eu sabia que precisava recomeçar, quantas vezes fossem necessárias, até acertar e seguir adiante.

Uma das profissões mais importantes e incríveis que existe, que mais deveria ser valorizada, é a do educador. Admiro-os cada dia mais, porque sei que não é fácil ser professor, ainda mais nos dias atuais. Mas nem tudo são flores. Quantos problemas deles enfrentam diariamente em sala de aula? O que acontece quando algo é tão difícil que parece totalmente inútil tentar fazer ou alcançar? Quantos sonhos deixaram para trás por achá-los inalcançáveis? Do que abrem mão hoje por causa dos seus pensamentos? Como lidam com o fracasso na sua profissão? Qual o mindset que move as suas vidas?

Para ajudar na resposta, pense por exemplo em dois maratonistas com uma corrida pela frente. Um maratonista com um mindset fixo provavelmente tentará correr sem muito treino, buscando o primeiro lugar, porque isso prova que ele tem um talento nato. Mas se ele não conseguir o primeiro lugar, perderá o interesse pela maratona, arranjará desculpas e continuará provavelmente treinando da mesma maneira. Ou talvez desista de participar de competições.

Por sua vez, um maratonista com um mindset de crescimento se dedicará muito e treinará o quanto puder. Para ele, não ser o primeiro colocado não é devastador, é simplesmente um sinal de que ele precisa treinar mais e se esforçar mais. Aproveitará o desafio e a chance de crescer. Ele percebe que o talento não é algo fixo, mas que pode aumentá-lo com esforço e aprendizado. E que pode se tornar cada vez melhor.

Em uma situação como essa, você se identificou com qual tipo de maratonista? O que possui o mindset fixo, que vai te fazer aceitar a situação e deixar tudo como está, te deixando sempre no mesmo lugar, que acredita no seu talento mas tem medo de errar de novo? Ou você está mais próximo do maratonista com o mindset de crescimento, que vai se esforçar cada vez mais, treinar mais, aprender com os erros de uma corrida, e buscar ser cada vez melhor? 

Se você se identificou mais com a mentalidade de crescimento, parabéns! É muito provável que já vivam uma vida de mais realizações e de mais satisfações, porque acreditam que possuem o poder para mudar e aprender com cada experiência.

Mas, se você se identificou mais com a mentalidade fixa, será que isso significa que você deve jogar a toalha e desistir? Não, de jeito nenhum. Sabe por quê? Porque é possível moldar e transformar nosso mindset. Cada um de nós é a única pessoa que pode optar por um ou outro. Se por algum equívoco você veio até aqui com um mindset que não ajuda a seguir em frente, você é a única pessoa que ainda tem o poder de mudá-lo.

O mindset inicialmente é definido pela educação que recebemos, pelo contexto social e cultural, mas não são determinantes e podem ser repensados, a partir de uma mudança de atitude. Ou seja, é muito importante entender que o mindset não é algo permanente e todos nós variamos entre o mindset fixo e o mindset de crescimento por toda nossa vida.

Ninguém só vê o mundo como uma oportunidade constante de aprendizado, como também ninguém é absolutamente travado e fatalista. Dependendo da situação podemos ser positivos ou negativos. Essa visão é importante pois no dia a dia, muitos momentos vão nos levar para cima ou para baixo, e em muitos casos vamos nos sentiremos mal e limitados.

Entretanto, é o mindset de crescimento que oferece mais chances de alcançar o sucesso. Se ainda predomina o mindset fixo em sua vida e você quer mudar isso, o primeiro passo é começar a olhar para tudo em sua vida de uma maneira nova e progressiva. Isso pode exigir tempo e esforço, mas vai valer a pena.

Mas, se vocês pensarem sempre do lado do problema, tudo ficará ainda mais difícil.

Lembra lá do começo que eu falei sobre empreendedorismo? Vou reforçar novamente sua definição: ele é “um conjunto de comportamentos e de hábitos que podem ser adquiridos, praticados e reforçados nos indivíduos, ao submetê-los a um programa de capacitação adequado de forma a torná-los capazes de gerir e aproveitar oportunidades, melhorar processos e inventar negócios”. Ou seja, empreendedorismo é ter o mindset de crescimento. É somente através dele que nos tornamos aptos a enfrentar os problemas e não os ver como fracasso, mas como parte do processo, como aprendizado. Assim, seguimos em frente e vamos conquistando nossos objetivos, caminhando de forma mais leve e segura.

Além disso, um professor com uma mentalidade empreendedora, de crescimento, destaca-se muito mais em relação a qualquer outro que só é um professor. Tudo vai depender do seu comportamento, como já falava Drucker. Ah, mas você acha que não pode ser empreendedores? Então me responda: na sala de aula, quantas vezes você não mediu esforços para dar a melhor aula possível, para envolver seus alunos, para que eles tenham prazer em estar na aula? Quantas vezes ao montar uma aula você não pensou como poderia fazer diferente, quais técnicas poderia usar para que o conteúdo fosse absorvido de uma maneira mais fácil? Esses são exemplos de comportamentos empreendedores. Você pode tê-los, mas não os está explorando e desenvolvendo.

Há muitas maneiras de você, professor, empreender em sala de aula e na sua própria vida. Por exemplo: na sala de aula, iniciativas como feira de ciências, projetos e outras atividades desenvolvidas por professores que colocam em foco o protagonismo do aluno, são formas de empreender. Outra forma é focar no desenvolvimento das competências empreendedoras, como trabalho em equipe, resolução de problemas, visão sistêmica, comunicação, protagonismo e criatividade. Ou ainda falar sobre criação e gestão de novos negócios, desenvolvimento e validação de ideias no mercado chegando até em como entender o cliente.

Quando se deparar com situações difíceis, como problemas de aprendizagem ou comportamento inadequado, tenha iniciativa e tome atitudes diferentes para alcançar objetivos diferentes. Compreenda a realidade de seus alunos: há problemas familiares que refletem no comportamento dos alunos na escola, em seu comprometimento com os estudos e até mesmo em sua conduta moral.  Muitas vezes, os alunos precisam apenas de um pouco mais de atenção, um pouco menos de críticas, do incentivo que não recebe em casa. Outra busca importante de informações diz respeito ao que os alunos gostam: utilizar suas preferências musicais, aproveitar o vocabulário, jogos, brinquedos e redes sociais aproximam professores de alunos e ainda podem ser facilitadores, como métodos de ensino.

Esses são mais alguns exemplos de empreendedorismo em sala de aula. Que só é possível se você começar a ter uma nova visão e novo comportamento diante da vida. Ou seja, o mindset de crescimento.

É por isso que nosso mindset tem tanto poder e influência sobre nossas vidas. É ele quem dialoga diretamente com nossa disposição para o aprendizado, com a autoconfiança e com a maneira como encaramos os desafios e dificuldades, seja no ambiente de trabalho, nos negócios, na educação das crianças, no meio esportivo, no amor, nos estudos ou em qualquer outra área profissional ou pessoal da sua vida. É ele que tem a capacidade de nos transformarmos em empreendedores de nossa própria vida.

Como na vida pessoal você pode desenvolver o mindset progressivo, de crescimento? Você pode começar se perguntando onde encontrará oportunidades para aprender e crescer todos os dias. Uma das melhores maneiras é através do conhecimento. Busque o conhecimento das mais diversas formas. Aproveite as vantagens de se viver no mundo atual. Hoje, temos facilidade no acesso à informação a qualquer hora do dia e da noite e em qualquer lugar, não há mais desculpas para não estudar e adquirir conhecimento sobre o que você quiser. Existe uma gama de conteúdos disponíveis na internet, em livros, revistas, além de várias ofertas de cursos e palestras. Mergulhe de cabeça para se tornar a cada dia um pouco melhor.

Isso é ter o mindset de crescimento, é se esforçar, se empenhar, buscar inovar e fazer diferente. Esse conhecimento precisa ser trazido para a realidade de agora, atualizado, reciclado e reinventado. Não basta aprender coisas novas o tempo todo, se em contrapartida não deixar para trás as coisas que lhe prendem a padrões ultrapassados. Adquirir conhecimento não é somente o acúmulo de informações, mas os estímulos que o farão seguir por caminhos desconhecidos, viver novas experiências e estar sempre aberto a mudanças.

Lembre-se de que será um trabalho difícil, que vai exigir esforço, paciência e tempo, pois processos que envolvem mudança de hábitos ou crenças geralmente demoram. Mas os resultados chegam. Afinal, “mais arriscado que mudar é continuar fazendo a mesma coisa.”

Entenda também suas limitações e comemore até as pequenas vitórias. Isso se faz necessário porque às vezes criamos metas absurdas e chegamos ao final do ano e não atingimos metade delas. Mas se você parar para fazer uma reflexão, ao buscar desenvolver o mindset de crescimento, você vai notar cada avanço que fez e que atingiu muito mais metas do que no ano anterior. Cada conquista, por menor que seja, significa um degrau a mais rumo a seu sonho.

Com essa percepção seremos capazes de levar nossos esforços para o longo prazo e com isso os momentos de desânimo não vão definir toda nossa jornada. Muitas vezes vamos acertar e tantas outras errar. O que não pode é jamais desistir.

Entendeu por que nunca foi sorte? O sucesso não aparece com o estalar dos dedos. Nada é dado de “mão beijada” ou “entregue de bandeja”. Para ter sucesso em qualquer área da vida, é preciso alimentar atitudes mentais progressivas, que nos estimulem a crescer, identificar e utilizar os nossos pontos fortes, como também os comportamentos que precisam ser melhorados e as crenças sabotadoras que precisam ser eliminadas.

Se você quer algo, vá à luta e faça por merecer! Ninguém vai trilhar seu caminho por você e não há uma fórmula mágica para o sucesso. Mas ele está em suas mãos, e só pode se originar a partir de muito esforço e dedicação. Do contrário, os bons resultados podem ser alcançados momentaneamente, mas se vão se desfazer ao longo do tempo.

Portanto, ninguém nasce empreendedor, torna-se um. Você não precisa ser um Marco Pólo, mas pode descobrir novos mundos até então desconhecidos para você através de novas atitudes mentais e novos comportamentos. Então vai ver o quanto isso vale vai valer a pena, porque todos nós somos capazes de fazer diferente e sermos muito melhores amanhã do que somos hoje.

Então, vamos começar a ser os empreendedores da nossa própria vida?