Antes de começar a minha divagação sobre o tema, considero essencial lembrar o significado de duas palavras fundamentais nesse período eleitoral. A primeira delas é PREFEITO – palavra tem origem greco-latina prefetus e quer dizer “aquele que atinge a perfeição, o perfeito, o que tem atitudes limpas e perfeitas”. A segunda é VEREADOR – palavra que vem do verbo latim verear, que significa “aquele que olha, que cuida, que vela pelo sossego comum (da comunidade)”.

Ao entender a etimologia das palavras, fica mais fácil explicar a importante missão que esses dois cargos públicos têm. Tanto o Prefeito, quanto o Vereador têm papeis essenciais para a sociedade, pois são, em primeira instância, os “guardiões” de seus interesses.

Dessa forma, espera-se que a função do Prefeito e do Vereador, bem como a imagem pública deles, não sirva apenas para garantir-lhes emprego e renda, mas, sim, para avalizar uma representação da população, ou seja, que falem em nome dela e zelem por sua educação, saúde, bem-estar e qualidade de vida.

De qualquer forma, não vou discutir agora a idoneidade de nossos candidatos, mas sim, o modelo de política antiquado praticado pela grande maioria. Ele pode ser evidenciado já nas campanhas eleitorais, usadas para divulgar os nomes e, teoricamente, suas causas e suas propostas político-partidárias.

O que se vê ainda hoje são modelos de campanhas que se preocupam apenas com o discurso politicamente correto e se esquecem das práticas, dos exemplos. Nas propagandas todos são “ecologicamente corretos, estão preocupados com o meio ambiente, a qualidade de vida e a sustentabilidade”. A realidade, no entanto, está muito longe disso.

As ruas continuam cobertas por panfletos. Popularmente chamados de “santinhos”, esses materiais existem desde os anos de 1450 continuam com a mesma função: exibir nomes e números que pouco significam para a sociedade e poluem o ambiente. Sujam, entopem bueiros e até contribuem para enchentes.

Por falar em poluição, o que dizer dos cartazes pregados em postes e viadutos, dos cavaletes nas esquinas ou dos enormes outdoors? E das bandeiras e bandeirolas sendo agitadas por “marionetes” em sinas de trânsitos?

Também não dá para esquecer dos carros de som, que mais parecem caixas de marimbondos… Música alta, nomes e números indecifráveis. Apenas mais um ruído para nossas cabeças.

Tudo isso misturado às passeatas no centro urbano, contribuindo para o caos no trânsito e servindo para irritar ainda mais o cidadão.

Como se não bastasse, agora também somos invadidos em nossa privacidade – nossos celulares, smartphones, computadores, notebooks e tablets, com inúmeros SPAMs, seja nas redes sociais ou nos e-mails. Resta-nos, apenas, deletar tudo isso para não travar a nossa vida.

Poluição visual. Poluição sonora. Impedimento do direito de ir e vir. Invasão de privacidade. O que podemos esperar de nossos representantes se, ainda no processo de divulgação, continuam adotando campanhas invasivas, poluidoras e antiquadas em todos os aspectos?

Não está na hora de repensar esse modelo? De usar a criatividade para adotar medidas que realmente nos façam conhecer as propostas daqueles a quem estamos elegendo?

Bom seria, se nos baseássemos em modelos como o utilizado pelo presidente norte-americano, Barack Obama, durante a sua primeira campanha eleitoral.

Para se ter uma ideia, os responsáveis pela campanha de Obama adquiriram bancos com dados de milhões de cidadãos americanos. Ao analisar o perfil de cada um, selecionaram os simpatizantes dos Democratas – partido pelo qual Obama se elegeu, e separaram-nos em grupos aparentemente parecidos. O objetivo era enviar-lhes uma espécie de newsletter que incluiria apenas propostas relacionadas aos seus interesses pessoais. Caso uma pessoa tivesse um membro de sua família combatendo na guerra do Iraque, por exemplo, receberia um e-mail com as posições do candidato acerca do conflito.
Será este intimismo personalizado e ecologicamente engajado o futuro das campanhas eleitorais também no Brasil?
Não seria melhor aprender a falar a linguagem de nossa população, entender os seus reais interesses e as suas demandas.

Que tal começarem por uma pesquisa simples… E é fácil demais adiantar as respostas:
1 – As pessoas não votam em um candidato só porque recebeu um santinho no sinal. Elas querem proximidade e conteúdo.
2- As pessoas não querem um candidato que enche a sua caixa postal com SPAMs. Elas querem conhecer as propostas e discuti-las.
3- As pessoas não votam em candidatos que param o trânsito, atrapalhando os seus compromissos pessoais e profissionais. Elas querem um candidato que proponha soluções para o deslocamento mais rápido.
4 – As pessoas não votam em candidatos apenas por oferecerem gasolina a troco de adesivarem os seus carros. Elas querem confiança e credibilidade.

As pessoas votam em quem conhecem e confiam, em quem seja exemplo e esteja disposto a dialogar.
Eu voto naquele que esteja disposto a vir me conhecer, me visitar, olhar nos meus olhos e me apresentar os seus objetivos como representante da sociedade que está o elegendo.
Voto em quem tem atitudes limpas e que realmente esteja disposto a zelar pela sociedade.
Enfim, eu voto em quem realmente conheça, entenda e esteja disposto a aplicar os significados das palavras PREFEITO e VEREADOR. E você? Em qual perfil votará?

2 Comments
  1. Avatar

    Parabens! Mensagem muito bem colocada e de muita utilidade pública.

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